Noto que o vento respira,
Transpira
Que a noite não se esconde,
Estás onde?
Que as poças se rasgam a cada brisa,
Avisa...
Noto que as cores se misturam,
Os sons enleiam,
As sombras perduram,
O silêncio amordaça,
Rija carapaça,
Recheio de lua...
Perdida, sou tua.
sexta-feira, novembro 28, 2003
Freixo de Espada a Cinta
Havia tanto para dizer. Mas fico-me por lhe dedicar um título, agora que já sei como se escreve.
quinta-feira, novembro 27, 2003
Onde estás?
Deixa-me ser o que os teus olhos vêem
Deixa-me ser o que o teu coração sente
Deixa-me ser o que as tuas mãos tocam
Deixa-me ser o que o teu ouvido escuta
Deixa-me ser o que a tua boca beija
Deixa-me ser o que a tua mente pensa
Deixa-me ser o que o teu ser procura
Deixa-me ser e não me deixes
Deixa-me ser o que o teu coração sente
Deixa-me ser o que as tuas mãos tocam
Deixa-me ser o que o teu ouvido escuta
Deixa-me ser o que a tua boca beija
Deixa-me ser o que a tua mente pensa
Deixa-me ser o que o teu ser procura
Deixa-me ser e não me deixes
Pino
O Rock in Rio vai ser em Lisboa
A Taça América em Vela é na Europa
O Portugal Fashion desfila em Espanha
A Ferreira Leite governa
A GNR apreende centenas de milhares de litros de álcool
O Pinochet nega ter sido ditador
O Smirnoff Experience está aí e eu com um traumatismo torácico
A Taça América em Vela é na Europa
O Portugal Fashion desfila em Espanha
A Ferreira Leite governa
A GNR apreende centenas de milhares de litros de álcool
O Pinochet nega ter sido ditador
O Smirnoff Experience está aí e eu com um traumatismo torácico
quarta-feira, novembro 26, 2003
Já escolheu?
Sabemos que somos grandes quando a nossa escolha atinge dimensões não desejáveis, ou pelo menos, que estão numa escala bem diferente da indecisão entre em Trinaranjus laranja ou um Sumol do mesmo fruto.
Há uma pressão enorme sobre a escolha. Já não bastava aquela que nós exercemos involuntariamente sobre nós próprios, tinham de vir as outras, todas juntinhas para que o efeito nefasto fosse maior.
É na compra da casa, na mudança de emprego, na escolha da cor do carro, na escolha do namorado, na escolha do restaurante, na escolha do caminho mais rápido, é em tudo. Passamos a vida a escolher e somos obrigados a fazê-lo recorrendo ao botão ultra-fast.
Ficamos sempre com a vontade da tarte de nata, mas no momento em que o empregado nos perguntou, claudicámos e o nosso cérebro enviou mousse de manga cá para fora.« Agora já não dá para voltar atrás... Ou dá? Dá, mas dá mau aspecto, fica mal, o empregado chateia-se. Que venha a tarte, eu até gosto.» Até nos deitarmos, a mousse de manga matuta e até somos capazes de sonhar com um país tropical nessa noite.
Se não houvesse opções, não haveria escolha, nem gostos, nem preferências. A vida era cinza, mas simples. Bem, também não havia necessidade de a pintar assim. Podia ter escolhas, mas menos do que as que tem.
É confuso, demasiada informação para ser processada. As opções deveriam chegar-nos como aqueles cardápios simples, onde não nos perdemos em saber qual 100 dos pratos que adoraríamos degustar nos apetece agora. Ou sim, ou sopas, ou carne ou peixe.
Como não há solução, e como temos de levar com o bombardeamento de hipóteses, ao menos nos restaurantes reformulem a pergunta independentemente de estarmos ou não acompanhados: “ Então, já escolheram?”. Sempre tira um pouco da responsabilidade da escolha e ganha-se tempo até se dar o veredicto final.
- Trinaranjus, mas maracujá, por favor.
Há uma pressão enorme sobre a escolha. Já não bastava aquela que nós exercemos involuntariamente sobre nós próprios, tinham de vir as outras, todas juntinhas para que o efeito nefasto fosse maior.
É na compra da casa, na mudança de emprego, na escolha da cor do carro, na escolha do namorado, na escolha do restaurante, na escolha do caminho mais rápido, é em tudo. Passamos a vida a escolher e somos obrigados a fazê-lo recorrendo ao botão ultra-fast.
Ficamos sempre com a vontade da tarte de nata, mas no momento em que o empregado nos perguntou, claudicámos e o nosso cérebro enviou mousse de manga cá para fora.« Agora já não dá para voltar atrás... Ou dá? Dá, mas dá mau aspecto, fica mal, o empregado chateia-se. Que venha a tarte, eu até gosto.» Até nos deitarmos, a mousse de manga matuta e até somos capazes de sonhar com um país tropical nessa noite.
Se não houvesse opções, não haveria escolha, nem gostos, nem preferências. A vida era cinza, mas simples. Bem, também não havia necessidade de a pintar assim. Podia ter escolhas, mas menos do que as que tem.
É confuso, demasiada informação para ser processada. As opções deveriam chegar-nos como aqueles cardápios simples, onde não nos perdemos em saber qual 100 dos pratos que adoraríamos degustar nos apetece agora. Ou sim, ou sopas, ou carne ou peixe.
Como não há solução, e como temos de levar com o bombardeamento de hipóteses, ao menos nos restaurantes reformulem a pergunta independentemente de estarmos ou não acompanhados: “ Então, já escolheram?”. Sempre tira um pouco da responsabilidade da escolha e ganha-se tempo até se dar o veredicto final.
- Trinaranjus, mas maracujá, por favor.
terça-feira, novembro 25, 2003
No Further Questions
Que mania esta. Remetem-se ao silêncio e obrigam-nos ao não desenvolvimento. Detesto discutir e não poder prosseguir, porque o meu interlocutor está satisfeito e dá o processo como terminado.
Há sempre algo que ficou por dizer, algo que ficou por perguntar, algo que não foi perguntado ao qual gostaria de ter respondido, há sempre...
Não se pode bater com o martelo numa discussão, pois isso cabe ao juiz e aqui não há lugar para magistrados. Sentamo-nos na mesma cadeira, quer sejamos ou não réus.
O silêncio, o silêncio atrofia-me no sentido lato do termo. Há silêncios que dizem mais que mil palavras, mas numa discussão preciso das palavras. Eu dou-te as minhas, tu dás-me as tuas e vamos jogando assim. Sem as tuas, é como me pores uma mordaça na boca. Não vale. Apetece-me abanar-te quando te calas. Porque te calas? Porque já chega?
Grrrr. Porque é que Portugal não é a Suíça* e eu não subo até um planalto onde possa gritar bem alto e ouvir o meu eco? Parava com o silêncio... Simulava interlocução...
Sócrates falava na dúvida, enquanto motor, enquanto libertadora, punha em dúvida mesmo aquilo que parecia evidente, indubitável. Ora, dúvida é uma pergunta. Há respostas que não encontramos em nós, mas sim nas respostas dos outros. Sabes tudo é? Damn.
Se um filósofo não te diz nada, ouve o anúncio da Vodafone, comunica mais: grita, pula, salta, fala, discute.
Tenho dito.
* reminiscência da Julie Andrews, no Música no Coração.
Há sempre algo que ficou por dizer, algo que ficou por perguntar, algo que não foi perguntado ao qual gostaria de ter respondido, há sempre...
Não se pode bater com o martelo numa discussão, pois isso cabe ao juiz e aqui não há lugar para magistrados. Sentamo-nos na mesma cadeira, quer sejamos ou não réus.
O silêncio, o silêncio atrofia-me no sentido lato do termo. Há silêncios que dizem mais que mil palavras, mas numa discussão preciso das palavras. Eu dou-te as minhas, tu dás-me as tuas e vamos jogando assim. Sem as tuas, é como me pores uma mordaça na boca. Não vale. Apetece-me abanar-te quando te calas. Porque te calas? Porque já chega?
Grrrr. Porque é que Portugal não é a Suíça* e eu não subo até um planalto onde possa gritar bem alto e ouvir o meu eco? Parava com o silêncio... Simulava interlocução...
Sócrates falava na dúvida, enquanto motor, enquanto libertadora, punha em dúvida mesmo aquilo que parecia evidente, indubitável. Ora, dúvida é uma pergunta. Há respostas que não encontramos em nós, mas sim nas respostas dos outros. Sabes tudo é? Damn.
Se um filósofo não te diz nada, ouve o anúncio da Vodafone, comunica mais: grita, pula, salta, fala, discute.
Tenho dito.
* reminiscência da Julie Andrews, no Música no Coração.
Soma e Segue
Isto de comprar coisas pela net, trouxe à minha vida um problema e um dilema. Tenho de ir aos CTT levantar a encomenda e para isso, ou me levanto uma hora mais cedo, ou tenho de fazer tudo a correr no trabalho, sair quando o relógio de ponto o permite, e estafar-me para chegar antes do fecho da estação dos CTT correspondente à minha zona. Para agravar a situação, a localização da dita estação é inconcebível. Não dá para ir de carro, nem passam autocarros próximo, logo, tenho de ir a correr e voltar a andar, desta feita, carregada até casa.
Mas agora, chegou o SIGA. A mordomia tem um custo, mas este custo compensa.
É só pôr a setinha aqui, clicar, preencher os espaços e esperar que a nossa encomenda venha até nós.
Mas agora, chegou o SIGA. A mordomia tem um custo, mas este custo compensa.
É só pôr a setinha aqui, clicar, preencher os espaços e esperar que a nossa encomenda venha até nós.
segunda-feira, novembro 24, 2003
Fala baixinho...
Fala baixinho não para que não te ouçam, mas para que te queiram ouvir.
Muitas vezes comportamo-nos como se não falassemos a mesma língua. Já repararam que é uma tendência portuguesa falar mais alto e espaçadamente para que um norueguês, ou um polaco, ou o que quer que seja, nos perceba em português? Quando é que vamos aprender que o tom do pregão, só serve para vender, não para nos fazermos valer.
O mesmo se aplica numa conversa mais agitada. Porque razão levantarão as pessoas o tom de voz? Tagore dizia que a verdade não está do lado de quem mais grita, e tinha muita razão.
Se vos irrita que vos elevem a voz, respondam com o timbre mais baixo que conhecem. É bem mais irritante para o outro, e para nós, uma satisfação dupla: mantemos a postura e não perdemos a compostura.
Muitas vezes comportamo-nos como se não falassemos a mesma língua. Já repararam que é uma tendência portuguesa falar mais alto e espaçadamente para que um norueguês, ou um polaco, ou o que quer que seja, nos perceba em português? Quando é que vamos aprender que o tom do pregão, só serve para vender, não para nos fazermos valer.
O mesmo se aplica numa conversa mais agitada. Porque razão levantarão as pessoas o tom de voz? Tagore dizia que a verdade não está do lado de quem mais grita, e tinha muita razão.
Se vos irrita que vos elevem a voz, respondam com o timbre mais baixo que conhecem. É bem mais irritante para o outro, e para nós, uma satisfação dupla: mantemos a postura e não perdemos a compostura.
Amanhã levo-te o tupperware
Porquê? Porquê mentir? Toda a gente sabe que um tupperware demora semanas, senão meses a ser entregue. Aproveita-se a próxima festa, o próximo aniversário e por vezes, a próxima passagem d’ano. Ao menos a usucapião não se aplica a estes plásticos, sabemos que hão-de voltar para casa um dia.
Por falar em usucapião, quantos dossiers com apontamentos, sebentas, malas, livros e cd’s meus não ficaram por aí espalhados pelo mundo inteiro? DEVOLVER é o verbo que sucede ao EMPRESTAR. Ouvi dizer que passados alguns meses, as coisas deixam de ser nossas. Após andarem à deriva, passam a ser do pirata que no-las pediu emprestado. Acabou. Emprestou está dado.
A vergonha de pedir o que é nosso a quem nos devia ter devolvido, é idêntica à de pedir dinheiro a quem no-lo está a dever. Porque razão havemos nós de nos sentir envergonhados por pedir o que é nosso? Muitas vezes coramos, tentamos arranjar assunto que possa servir de “link” para a dita lembrança, mas a maior parte das vezes nem desenvolvemos e desistimos antes mesmo de atingir o meio do propósito.
É curioso, mas o português tem vergonha de confrontar quem não tem vergonha na cara.
Por falar em usucapião, quantos dossiers com apontamentos, sebentas, malas, livros e cd’s meus não ficaram por aí espalhados pelo mundo inteiro? DEVOLVER é o verbo que sucede ao EMPRESTAR. Ouvi dizer que passados alguns meses, as coisas deixam de ser nossas. Após andarem à deriva, passam a ser do pirata que no-las pediu emprestado. Acabou. Emprestou está dado.
A vergonha de pedir o que é nosso a quem nos devia ter devolvido, é idêntica à de pedir dinheiro a quem no-lo está a dever. Porque razão havemos nós de nos sentir envergonhados por pedir o que é nosso? Muitas vezes coramos, tentamos arranjar assunto que possa servir de “link” para a dita lembrança, mas a maior parte das vezes nem desenvolvemos e desistimos antes mesmo de atingir o meio do propósito.
É curioso, mas o português tem vergonha de confrontar quem não tem vergonha na cara.
domingo, novembro 23, 2003
Gato e Peixe
"Atirei o pau ao gato-to-to, mas o gato-to-to, não morreu-eu-eu". Assim começa uma cantiga de crianças que todos os portugueses conhecem bem. Já pararam um pouco e repararam que a amiga da dona Chica queria que o gato morresse? E acham que isso é cantiga para crianças? Bem, mas o gato não morreu, apenas deu um berro: "miauuuuuuuu".
"Não vás ao mar, tonho (de António), que o mar está bravo, tonho (...) Adeus Maria que eu vou p'ró mar, pescar sardinha p'ró teu jantar, ela é fresquinha, da cor da prata, não tenhas medo, que o mar não mata (...) Ai tonho, tonho, que tão desgraçado és, ai tonho, tonho, que nem meias tens p'rós pés (...)" Só tenho um comentário para isto: deprimente! A vida e os riscos de um pescador português. Mas não acham que as crianças deviam ter músicas mais actuais e bem menos deprimentes? Tipo: "Vamos ao colombo, vamos ao amoreiras, vamos à Av. da Liberdade, vamos às compras (...) la la la"... Ah, ok... Isto não é bem para crianças. É mais para mim mesmo. É a proximidade do Natal. Estou a deslocar-me do tópico... Mas estas são músicas do meu tempo, aliás... do tempo dos meus pais. Espero que as deste tempo sejam bem mais alegres. E que seja atirado um peixe bem fresquinho ao gato... daquele que o tonho tenha ido pescar... com sucesso, com meias, mas sem a interferência dos barcos espanhóis...
"Não vás ao mar, tonho (de António), que o mar está bravo, tonho (...) Adeus Maria que eu vou p'ró mar, pescar sardinha p'ró teu jantar, ela é fresquinha, da cor da prata, não tenhas medo, que o mar não mata (...) Ai tonho, tonho, que tão desgraçado és, ai tonho, tonho, que nem meias tens p'rós pés (...)" Só tenho um comentário para isto: deprimente! A vida e os riscos de um pescador português. Mas não acham que as crianças deviam ter músicas mais actuais e bem menos deprimentes? Tipo: "Vamos ao colombo, vamos ao amoreiras, vamos à Av. da Liberdade, vamos às compras (...) la la la"... Ah, ok... Isto não é bem para crianças. É mais para mim mesmo. É a proximidade do Natal. Estou a deslocar-me do tópico... Mas estas são músicas do meu tempo, aliás... do tempo dos meus pais. Espero que as deste tempo sejam bem mais alegres. E que seja atirado um peixe bem fresquinho ao gato... daquele que o tonho tenha ido pescar... com sucesso, com meias, mas sem a interferência dos barcos espanhóis...
Não vale mesmo a pena
Nem mapas. A sério, dizem que até pode causar cegueira contrariar os dons. Efeitos nefastos, como os de acordar um sonâmbulo.
Não vale a pena
Não vale a pena porem no inventário dos meus presentes de Natal uma bússola. Não convém contrariar os dons.
Sentido de (des)Orientação
Descobri que tenho um dom. Passados 25 anos, finalmente um dom. Eu já desconfiava, os meus amigos e família estavam fartos de mo dizer, mas eu não fazia caso.
Tenho um extraordinário sentido de desorientação. É magnífico assistir à minha pessoa no meio de uma praça com ou sem mapa, ou a tentar encontrar a saída do metro, ou mesmo a fazer o caminho de volta. Mais fascinante ainda é quando tento orientar-me (sempre sem sucesso). Para além do meu dom, a ajudar ao facto de me perder constantemente, está a minha difícil capacidade de armazenamento de coordenadas e indicações. Eu esforço-me. Pergunto às pessoas como se vai para determinado sítio, mas após a «1ª à direita, depois do cruzamento a 3ª à esquerda e novamente depois dos semáforos à direita» já estou a pensar qual a próxima pessoa a inquirir. Não consigo, ultrapassa-me. Não consigo estar atenta a uma explicação desta categoria. Começo logo a pensar que hei-de encontrar alguém que explique melhor e pronto, não ouvi a explicação.
Quando alguém tem o azar de ser como eu, e de me inquirir a mim porque se encontra desorientado, aí é o descalabro total. Atrapalho-me e parece que é a primeira vez que estou na zona. Tenho brancas completas. Sinto-me mal e tento ajudar, mas estou completely lost também.
É terrível, mas é um facto. Tenho um dom, que só me serve para soltar umas gargalhadas valentes.
Tenho um extraordinário sentido de desorientação. É magnífico assistir à minha pessoa no meio de uma praça com ou sem mapa, ou a tentar encontrar a saída do metro, ou mesmo a fazer o caminho de volta. Mais fascinante ainda é quando tento orientar-me (sempre sem sucesso). Para além do meu dom, a ajudar ao facto de me perder constantemente, está a minha difícil capacidade de armazenamento de coordenadas e indicações. Eu esforço-me. Pergunto às pessoas como se vai para determinado sítio, mas após a «1ª à direita, depois do cruzamento a 3ª à esquerda e novamente depois dos semáforos à direita» já estou a pensar qual a próxima pessoa a inquirir. Não consigo, ultrapassa-me. Não consigo estar atenta a uma explicação desta categoria. Começo logo a pensar que hei-de encontrar alguém que explique melhor e pronto, não ouvi a explicação.
Quando alguém tem o azar de ser como eu, e de me inquirir a mim porque se encontra desorientado, aí é o descalabro total. Atrapalho-me e parece que é a primeira vez que estou na zona. Tenho brancas completas. Sinto-me mal e tento ajudar, mas estou completely lost também.
É terrível, mas é um facto. Tenho um dom, que só me serve para soltar umas gargalhadas valentes.
Don't walk on a thin line...
Quem te avisa teu amigo é... blá-blá-blá.
Desde crianças que sentimos fascínio por corrimãos, por muros estreitos, por bermas de passeios, por poças "d'água" cuja profundidade desconhecemos.
Adoramos ver os palhaços, mas é para os trapezistas que abrimos a boca de espanto. Gostamos do perigo, gostamos de fazer equilibrismo, mesmo sem rede. Acrobacias para as quais não estamos capacitados, cambalhotas sem saber como termina o desenrrolar. É por isso que viver é tão adrenalínico.
Qual a piada de fazer tudo nos "conformes"?
-Caiu?
-Sim, caí, mas toquei no céu. E tu? De que te vale teres os pés bem assentes, quando a tua cabeça anda à roda por nunca teres pulado?
Eu ando sobre linhas de fogo, linhas estreitas, e calço o 40. O mais provável é queimar-me, é cair, melhor, o mais provável é continuar a cair. Mas a gravidade quando me vence é por pouco, pois o fascinante é desafiá-la a cada instante.
Desde crianças que sentimos fascínio por corrimãos, por muros estreitos, por bermas de passeios, por poças "d'água" cuja profundidade desconhecemos.
Adoramos ver os palhaços, mas é para os trapezistas que abrimos a boca de espanto. Gostamos do perigo, gostamos de fazer equilibrismo, mesmo sem rede. Acrobacias para as quais não estamos capacitados, cambalhotas sem saber como termina o desenrrolar. É por isso que viver é tão adrenalínico.
Qual a piada de fazer tudo nos "conformes"?
-Caiu?
-Sim, caí, mas toquei no céu. E tu? De que te vale teres os pés bem assentes, quando a tua cabeça anda à roda por nunca teres pulado?
Eu ando sobre linhas de fogo, linhas estreitas, e calço o 40. O mais provável é queimar-me, é cair, melhor, o mais provável é continuar a cair. Mas a gravidade quando me vence é por pouco, pois o fascinante é desafiá-la a cada instante.
sexta-feira, novembro 21, 2003
Em Beneficiação
É bonito, num país onde qualquer placa tem um erro ortográfico, ler numa autoestrada «Em Beneficiação». É bonito, mas será mais perceptível que « ah tromossos e menduins»?
Vamos a banhos?
Foi comentado numa rádio que tomar banho com frequência faz com que as nossas defesas se enfraqueçam e fiquemos mais indefesos em relação a doenças. Agora percebo! Afinal não fazem de propósito... O cheiro que algumas pessoam emanam é sinal de defesas reforçadas. E o cabelo seboso também está incluído no pacote de defesas? E quanto à higiene oral? Ainda vamos descobrir que lavar os dentes faz mal... (ok, especialistas, sim, o flúor pode ter aqueles efeitos nos ossos...) Prefiro as vacinas e Actimel (passo a publicidade) que nos coloca uma bolha de protecção e que afasta os bichinhos maus.
Aqui me despeço de vocês... de banho tomado...
Aqui me despeço de vocês... de banho tomado...
3 Kg de vida
Finalmente consegui reaver uma porção da minha vida. É triste saber quando a nossa vida está contida num objecto cinzento e prateado com cerca de 3 kg. Mas é lá que tenho as músicas da minha vida. É lá que os momentos "sony" estão (os "kodak" já eram... agora é época digital). É lá que a minha vida académica se encontrava. Naquele objecto que agora está a fazer de pisa-papéis. É triste, mas é verdade: a minha vida parcialmente comandada por uma máquina. Vinguei-me. Troquei-lhe as voltas. Desaparafusei-a. Fui à procura do maquinista, encontrei-o K.O..
Num passeio perto de si...
A caca e o cocó foram os dois passear...
Poderiam ser nomes de palhaços, mas não são... embora também se pintem de várias tonalidades.
Caca, cocó, excremento, fezes, matérias fecais, porcaria, coisa insignificante (esta do insignificante fez-me rir. Deve ter sido do palhaço!), são alguns sinónimos destes nossos companheiros de longa data, deixados pelo melhor amigo do Homem. Talvez seja por isso que o Homem os deixe intactos (até algum sapato distraído levar metade para casa), quais relíquias num qualquer museu!
Ou será porque um saco de plástico pesa, ou faz demasiado barulho?
Que o português tem muitos maus hábitos em público todos sabemos, mas também é de conhecimento geral que os sacos de plástico não custam um cêntimo sequer. (Culpado já há, e a desculpa, qual é?)
Peguem mas é num mísero saco de plástico da próxima vez (e em todas as outras, já agora) que pegarem na trela do vosso melhor amigo e deixem-se de merdas... nos passeios!
Poderiam ser nomes de palhaços, mas não são... embora também se pintem de várias tonalidades.
Caca, cocó, excremento, fezes, matérias fecais, porcaria, coisa insignificante (esta do insignificante fez-me rir. Deve ter sido do palhaço!), são alguns sinónimos destes nossos companheiros de longa data, deixados pelo melhor amigo do Homem. Talvez seja por isso que o Homem os deixe intactos (até algum sapato distraído levar metade para casa), quais relíquias num qualquer museu!
Ou será porque um saco de plástico pesa, ou faz demasiado barulho?
Que o português tem muitos maus hábitos em público todos sabemos, mas também é de conhecimento geral que os sacos de plástico não custam um cêntimo sequer. (Culpado já há, e a desculpa, qual é?)
Peguem mas é num mísero saco de plástico da próxima vez (e em todas as outras, já agora) que pegarem na trela do vosso melhor amigo e deixem-se de merdas... nos passeios!
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