Há imenso tempo que não via o primeiríssimo post deste blog. Hoje, mesmo estando um dia cinzento, consegui aceder a ele (após muitos cliques no Baú Novembro 2003). Não vemos umas coisas, vemos outras. C'est la vie.
Amanhã pode ser que não...
sexta-feira, novembro 21, 2003
Gris
Hoje não vejo a ponte
Tão pouco o Cristo Rei
Hoje tudo é cinzento
Hoje o Tejo cobre-se de nublina
Amanhã pode ser que não
Hoje não te vejo
Nem tão pouco os meus olhos cruzam os teus
Hoje tudo é cinzento
Hoje o meu coração cobre-se de nublina
Amanhã pode ser que não
Tão pouco o Cristo Rei
Hoje tudo é cinzento
Hoje o Tejo cobre-se de nublina
Amanhã pode ser que não
Hoje não te vejo
Nem tão pouco os meus olhos cruzam os teus
Hoje tudo é cinzento
Hoje o meu coração cobre-se de nublina
Amanhã pode ser que não
Portuglês
Engraçado, agora há imensa gente a usar termos em inglês nas suas conversas – eu incluído. So, porque temos esta mania de colocar palavras em inglês nas conversas? Eu descarto-me facilmente: coloco a culpa na sociedade. São sempre os outros que são os culpados, logo, sou inocente de tal atrocidade. Será que perdemos o orgulho no Português? Não creio. Mas será que temos a necessidade de mostrar que sabemos falar inglês? E as breves incursões do castelhano na língua portuguesa? “Si cariño”, “Besos”... Será que isto acontece devido à atenção tomada ao canal 18? Talvez. Mas ainda há quem tire cursos... Esses estão salvaguardados. E os que estão próximos deles também! (Eu sabia que conseguiria descalçar esta bota também). Mas no Brasil é bem mais grave. Não há equipas, há "times", and so on, and so on... Bem, vou ligar para o meu office para ver se o meu schedule está mais ou menos vazio para ir ao gym...
Perplexa
Aos dezasseis anos, as minhas grandes preocupações eram conseguir convencer os meus Pais a deixarem-me sair ao fim-de-semana e ter all-stars de várias cores.
Aos dezasseis anos, há dois rapazes em Portugal que entraram em Medicina este ano. Um deles, o João, ao ano e meio, enquanto eu tentava atinar com a colher e o seu percurso até à boca, lia. Aos quatro anos, enquanto eu esfolava os joelhos, o João explicava à Mãe como seria o seu trabalho de parto. O Renato é igual. Têm 16 anos e são excepcionalmente anormais.
O discurso eloquente que ambos têm aos dezasseis, não se compara com o que eu tenho hoje com mais nove anos que eles, já para nem fazer a analogia à minha pessoa com a mesma idade que eles têm hoje.
Ambos sabem o quem são e o que querem ser, mesmo não tendo idade para isso. Será que eu vou demorar muito mais tempo a chegar a essa mesma conclusão?
Aos dezasseis anos, há dois rapazes em Portugal que entraram em Medicina este ano. Um deles, o João, ao ano e meio, enquanto eu tentava atinar com a colher e o seu percurso até à boca, lia. Aos quatro anos, enquanto eu esfolava os joelhos, o João explicava à Mãe como seria o seu trabalho de parto. O Renato é igual. Têm 16 anos e são excepcionalmente anormais.
O discurso eloquente que ambos têm aos dezasseis, não se compara com o que eu tenho hoje com mais nove anos que eles, já para nem fazer a analogia à minha pessoa com a mesma idade que eles têm hoje.
Ambos sabem o quem são e o que querem ser, mesmo não tendo idade para isso. Será que eu vou demorar muito mais tempo a chegar a essa mesma conclusão?
Dentinho-de-Leite
Onde andará a fada-madrinha dos dentinhos-de-leite? Naquela altura, o que eu pedia numa noite, não era o que eu queria na manhã seguinte. Agora é. Já não confundo a Srª Fada, porque é que ela não aparece? Sei que já não tenho dentinhos-de-leite, mas não dá para ser a Fada Queda-de-Cabelo, a Fada da Celulite, a Fada do Peso-A-Mais?
Adorava que houvesse a Fada das Preocupações, assim adormecia sobre elas, e no outro dia tudo estava resolvido. A Fada levava-mas e ainda me deixava o desejo. Se o meu desejo se concretizasse ( e era o mesmo amanhã de manhã e depois e depois...), nem era preciso ela levar-mas, podiam cá ficar todas, pois tu já cá estarias para me ajudar.
Adorava que houvesse a Fada das Preocupações, assim adormecia sobre elas, e no outro dia tudo estava resolvido. A Fada levava-mas e ainda me deixava o desejo. Se o meu desejo se concretizasse ( e era o mesmo amanhã de manhã e depois e depois...), nem era preciso ela levar-mas, podiam cá ficar todas, pois tu já cá estarias para me ajudar.
Comunismo na estrada...
É inegável. Por muito que o nosso governo seja de direita, na estrada os portugueses são comunistas. Tudo pela esquerda. É engraçado ver quem entra num autoestrada e a primeira coisa que faz é o pisca para a esquerda e lá vai para a faixa do meio - são os centristas. É preciso ter muito cuidado com os centristas, pois nunca se sabe quando irão fazer uma viragem à direita na próxima saída... É curioso ver a alergia que o português tem à faixa da direita. Mas porque isto acontece? Uma amiga minha estava a tirar a carta de condução e quando entrava numa via com 3 faixas o instrutor dela dizia-lhe para andar sempre na faixa do meio, porque a faixa da direita era para os tótós. Para além de verídico, é muito grave. Já assisti a acidentes devido ao comunismo excessivo nas estradas portuguesas. Conduzam pela direita. É muito mais seguro. Pelo menos nas estradas...
quinta-feira, novembro 20, 2003
Já dizia o Pessoa
«Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?»
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
Acrónimos
Tenho uma paranóia. Pronto, tenho várias paranóias, mas vou falar de uma, até porque já é altura...
Tenho empestado este blog de acrónimos. Gosto de saber o significado de siglas. Há siglas que usamos no dia-a-dia que automaticamente aceitamos como conceitos e que associamos rapidamente a coisas, organizações, partidos políticos, marcas, etc.
É essa a sua função. Facilitar a expressão oral e escrita e com isso a associação ligeira. Simplificam-nos a vida, mas a mim complicam-me o sistema.
Suscita-me curiosidade saber a que palavra corresponde cada letra de uma sigla. É por isso que decifro aqui alguns acrónimos.
Vou despejar para este post alguns acrónimos que utilizei hoje, ou que li ou ouvi, e depois vou parar com isto por uns tempos. Aqui vai:
RSFF - Responder Se Faz Favor
PS - Post Scriptum
TSF - Telefonia Sem Fios
TMN - Telecomunicações Móveis Nacionais
TIR - Transportes Internacionais Rodoviários
SIC - Sociedade Independente de Comunicação
RTP - Radiotelevisão Portuguesa
TVI - Televisão Independente
UHT - Ultra Hight Temperature
UHF - Ultra Hight Frequency
Ufa. Soube-me bem...
Tenho empestado este blog de acrónimos. Gosto de saber o significado de siglas. Há siglas que usamos no dia-a-dia que automaticamente aceitamos como conceitos e que associamos rapidamente a coisas, organizações, partidos políticos, marcas, etc.
É essa a sua função. Facilitar a expressão oral e escrita e com isso a associação ligeira. Simplificam-nos a vida, mas a mim complicam-me o sistema.
Suscita-me curiosidade saber a que palavra corresponde cada letra de uma sigla. É por isso que decifro aqui alguns acrónimos.
Vou despejar para este post alguns acrónimos que utilizei hoje, ou que li ou ouvi, e depois vou parar com isto por uns tempos. Aqui vai:
RSFF - Responder Se Faz Favor
PS - Post Scriptum
TSF - Telefonia Sem Fios
TMN - Telecomunicações Móveis Nacionais
TIR - Transportes Internacionais Rodoviários
SIC - Sociedade Independente de Comunicação
RTP - Radiotelevisão Portuguesa
TVI - Televisão Independente
UHT - Ultra Hight Temperature
UHF - Ultra Hight Frequency
Ufa. Soube-me bem...
A pensar, a pensar...
E eu a pensar que só na Europa a pedofilia era crime...
E eu a pensar que só em Portugal é que havia pedófilos conhecidos...
E eu a pensar que o Michael Jackson nunca seria apanhado...
E eu a pensar que só em Portugal é que havia pedófilos conhecidos...
E eu a pensar que o Michael Jackson nunca seria apanhado...
CTT
C - Currency
T - Transaction
T - Tax
Currency Transaction Tax
Imposto sobre as transacções monetárias dos países em vias de desenvolvimento para o controlo de capital
C - Correios
T - Telégrafos
T - Telefones
Em 1911 é criada em Portugal a Administração Geral dos Correios e Telégrafos, que em 1939 passou a designar-se Correios, Telégrafos e Telefones – CTT, e que nos dias de hoje é conhecida como Correios e Telecomunicações de Portugal, S.A.
Para mim: os correios.
Para mim, deixou de ser os Correios, para ser mais uma sigla.
T - Transaction
T - Tax
Currency Transaction Tax
Imposto sobre as transacções monetárias dos países em vias de desenvolvimento para o controlo de capital
C - Correios
T - Telégrafos
T - Telefones
Em 1911 é criada em Portugal a Administração Geral dos Correios e Telégrafos, que em 1939 passou a designar-se Correios, Telégrafos e Telefones – CTT, e que nos dias de hoje é conhecida como Correios e Telecomunicações de Portugal, S.A.
Para mim: os correios.
Para mim, deixou de ser os Correios, para ser mais uma sigla.
Play again
Há rewinds que deveriam ser forwards, forwards que deveriam substituir os plays e plays que deveriam ser pauses.
Isto porque há lembranças que queremos que passem depressa, momentos presentes que queremos que fiquem para trás e coisas que sentimos que gostavamos de sentir para toda a eternidade.
Mas a vida não é uma VHS, nem tão pouco um DVD.
A minha fita encravou, o meu DVD riscou, tão somente porque numa conversa de 2 horas, fiz rewinds, forwards, pauses e plays sem parar. O aparelho não aguenta tudo isto, nem tão pouco o frágil material.
Felizmente a reconstrução/restauração do filme da minha vida é bem mais simples que a da película/DVD.
Não há nada que na oficina do sono não tenha conserto.
That's all folks!
Isto porque há lembranças que queremos que passem depressa, momentos presentes que queremos que fiquem para trás e coisas que sentimos que gostavamos de sentir para toda a eternidade.
Mas a vida não é uma VHS, nem tão pouco um DVD.
A minha fita encravou, o meu DVD riscou, tão somente porque numa conversa de 2 horas, fiz rewinds, forwards, pauses e plays sem parar. O aparelho não aguenta tudo isto, nem tão pouco o frágil material.
Felizmente a reconstrução/restauração do filme da minha vida é bem mais simples que a da película/DVD.
Não há nada que na oficina do sono não tenha conserto.
That's all folks!
Salteador do Frigorífico Perdido
Chega a esta hora e fico cheio de fome. É mecânico, é matemático, não falha. Por muito que coma ao jantar, é-me impossível controlar esta ânsia de ir direito ao frigorífico e devorar todas as delicatessens de que está recheado. Sejam iogurtes de morango, seja fiambre, seja queijo. Não sou esquisito. Faço tostas, faço torradas, faço chá. Só não faço bolos porque a fome é tanta que não dá tempo. O meu cão olha para mim. Deve ter o mesmo mecanismo automático que eu tenho. Isto deve despertar à mesma hora - mas em horas caninas. 1h30: hora de cravar um biscoito ao dono. E assim o faço, é ritual. Eu e as minhas torradas. O cão e o seu biscoito.
O que é o Jantar? Who cares!
Isto de ser "crescido" levanta uma questão que há uns anos atrás não levantava. Estavámos sempre desertinhos de ir jantar fora, qual saltimbancos. Agora, ora jantas cá, ora janto lá. Adoramos receber, adoramos ser recebidos. Não trocamos a ementa do nosso amigo(a) ou namorado(a) pelo cardápio mais coadunado aos nossos apetites gastronómicos. O sofá e o café depois do jantar, a conversa que se arrasta num puff qualquer a meia luz, com uma música que quase não se ouve mas envolve, um ritual delicioso que não queremos quebrar e voltamos a promover no próximo jantar.
Escolhemos com brio o vinho e a sobremesa, outras vezes saímos a correr do trabalho para ir comprar os mais frescos ingredientes do apetitoso jantar que vamos confeccionar. Queremos que tudo corra bem, que satisfaça todos os requintes, mesmo os mais sagazes. Um gourmet para os Deuses. É bom sair da rotina e criar esta nova rotina. É bom conviver, é bom falar, é bom cozinhar para ti, para ti e para ti, é bom saborear o que preparaste. É bom sentirmo-nos em casa numa casa que não é nossa, é bom que os outros sintam o mesmo quando à nossa vêm.
Bom mesmo, é alguém cozinhar para nós, na nossa casa, donde nunca mais nos apetece que dali saia...
É bom ser "crescido".
Escolhemos com brio o vinho e a sobremesa, outras vezes saímos a correr do trabalho para ir comprar os mais frescos ingredientes do apetitoso jantar que vamos confeccionar. Queremos que tudo corra bem, que satisfaça todos os requintes, mesmo os mais sagazes. Um gourmet para os Deuses. É bom sair da rotina e criar esta nova rotina. É bom conviver, é bom falar, é bom cozinhar para ti, para ti e para ti, é bom saborear o que preparaste. É bom sentirmo-nos em casa numa casa que não é nossa, é bom que os outros sintam o mesmo quando à nossa vêm.
Bom mesmo, é alguém cozinhar para nós, na nossa casa, donde nunca mais nos apetece que dali saia...
É bom ser "crescido".
Escolha de Presente
Escolher um presente não é comprar um presente, melhor, não é só comprar um presente. Escolher um presente é levar na carteira lembranças, carinho, dedicação, amor e o cartão de crédito.
É tão bom receber um presente que nos diz muito, que nos diz muito porque sabemos que a pessoa que nos oferece sabia que íamos gostar. Escolher um presente é bem mais prazeroso. É dar voltas à cabeça, estar atento a pormenores, a conversas, a lançamentos e principalmente querer agradar, não só com o presente, mas pelo presente que é e o que significa.
Receber um presente é só desembrulhar (ou desagrafar – há lojas que já não fazem embrulhos, agrafam sacos :s), escolher é muito mais que isso. O sorriso e a satisfação são as bases comuns ao dar e receber, mas quem dá com gosto, recebe o sorriso a dobrar, pelo menos sente-se assim.
Ver a satisfação estampada no rosto da pessoa que desembrulha (ou desagrafa) é tudo, e sabemos que não é "sorriso educado", pois aquele presente, de certeza que irá agradar, foi escolhido a dedo pelo coração.
Não foi sorte, foi atenção!
É tão bom receber um presente que nos diz muito, que nos diz muito porque sabemos que a pessoa que nos oferece sabia que íamos gostar. Escolher um presente é bem mais prazeroso. É dar voltas à cabeça, estar atento a pormenores, a conversas, a lançamentos e principalmente querer agradar, não só com o presente, mas pelo presente que é e o que significa.
Receber um presente é só desembrulhar (ou desagrafar – há lojas que já não fazem embrulhos, agrafam sacos :s), escolher é muito mais que isso. O sorriso e a satisfação são as bases comuns ao dar e receber, mas quem dá com gosto, recebe o sorriso a dobrar, pelo menos sente-se assim.
Ver a satisfação estampada no rosto da pessoa que desembrulha (ou desagrafa) é tudo, e sabemos que não é "sorriso educado", pois aquele presente, de certeza que irá agradar, foi escolhido a dedo pelo coração.
Não foi sorte, foi atenção!
quarta-feira, novembro 19, 2003
Surto e livro... Que combinação desencontrada...
Um grande surto de lamechice aguda invadiu este blog momentaneamente. Mas é assim. Trocaram-nos as voltas como aconteceu com a gripe. Lá se muda a estirpe e a vacina fica com efeitos limitados.
Acabei de ler o "Sex and the City", da Candace Bushnell. Pequenas histórias. Temas simples. Temas complexos. E é imperdível o capítulo da Amelita com o lorde inglês... "Don't you think you'd get more of life if you read it instead?" Leiam. Nem que seja apenas como exercício de tradução ou para descobrir essa passagem... Adorei.
Acabei de ler o "Sex and the City", da Candace Bushnell. Pequenas histórias. Temas simples. Temas complexos. E é imperdível o capítulo da Amelita com o lorde inglês... "Don't you think you'd get more of life if you read it instead?" Leiam. Nem que seja apenas como exercício de tradução ou para descobrir essa passagem... Adorei.
Não te Esqueças da Escova de Dentes
Mais que um nome de concurso, é uma advertência. Embirro com quem se esquece da escova de dentes. O telemóvel vem, a carteira também, mas a escova fica.
O problema não está aí. Se a muitos não faz espécie não lavar os dentes, é questão que não me suscita preocupação (na maior parte dos casos). O que me causa espécie é acharem que não me fará espécie alguma utilizarem a minha. A escova de dentes não se partilha, pelo menos a minha. Bem sei que poderá parecer estranho, mas é uma coisa pessoal, muito pessoal, íntima até.
Não gosto de partilhar a minha escova, assim como seria incapaz de utilizar a de outrém. Não percebo onde está a dificuldade em perceber isto. «Beijas-me, comes dos meus talheres, até bebes do meu copo... Porque não posso utilizar a tua escova?» Porque não. Chamem-lhe panca, teimosia, egoísmo, capricho. Não e não.
Nunca pedi uma gilette emprestada, (também porque não utilizo), mas imagino que, caso utilizasse, lembrar-me-ia de a levar, e caso não, nunca pediria emprestada (até porque, felizmente, fazer a barba foi ofício que nunca careceu necessidade em meu rosto, logo...).
Vou comprar um cofrinho, com código, daqueles bem maneirinhos, porque a minha escova é só minha e tem de estar guardada.
Não concebo a indignação. Fica feita a advertência.
O problema não está aí. Se a muitos não faz espécie não lavar os dentes, é questão que não me suscita preocupação (na maior parte dos casos). O que me causa espécie é acharem que não me fará espécie alguma utilizarem a minha. A escova de dentes não se partilha, pelo menos a minha. Bem sei que poderá parecer estranho, mas é uma coisa pessoal, muito pessoal, íntima até.
Não gosto de partilhar a minha escova, assim como seria incapaz de utilizar a de outrém. Não percebo onde está a dificuldade em perceber isto. «Beijas-me, comes dos meus talheres, até bebes do meu copo... Porque não posso utilizar a tua escova?» Porque não. Chamem-lhe panca, teimosia, egoísmo, capricho. Não e não.
Nunca pedi uma gilette emprestada, (também porque não utilizo), mas imagino que, caso utilizasse, lembrar-me-ia de a levar, e caso não, nunca pediria emprestada (até porque, felizmente, fazer a barba foi ofício que nunca careceu necessidade em meu rosto, logo...).
Vou comprar um cofrinho, com código, daqueles bem maneirinhos, porque a minha escova é só minha e tem de estar guardada.
Não concebo a indignação. Fica feita a advertência.
Perdoa-me (não te ter perdoado)
O Perdão é diferente do Desculpar, só se pede quando se sente no fundo que se atingiu um outro fundo, só se dá quando se sente que o outro fundo sentiu tão fundo que o nosso fundo e o dele se podem novamente elevar e olhar a luz de frente, sem cavidade por onde a sombra possa descansar.
Pedir perdão é quase tão difícil quanto o acto de perdoar, ou talvez não. Talvez estejam ambos no mesmo patamar, roçando o mesmo grau de dificuldade. Perdoar é um grande exercício, um grande exercício que revela enormes capacidades por detrás. Não é qualquer um que perdoa. Perdoar não é voltar atrás, perdoar é olhar em frente com uma breve passagem às costas do presente.
Perdoar não é relevar, perdoar é esquecer. É esta amnésia voluntária que não é para todos. É-o só para aqueles que são grandes por si só, cujo coração bomba nobreza em todo o seu esplendor e cujo amor transpira por cada poro.
Pedir perdão por não ter perdoado é ajoelhar sem vergonha, porque se atinge um patamar de percepção do outro, que já passou por onde se está a passar agora. Pedir perdão por não ter desculpado é porventura mais difícil que perdoar, mais difícil que pedir perdão.
A remissão dos pecados é-nos dada não pelo perdão em si, mas pela nossa consciência. Somos nós que ditamos o veredicto final. É por isso que muitas vezes esperamos a absolvição através do outro, é por isso que muitas vezes sofremos sem querer saber porquê. Eu já dormi sobre a minha consciência, já acordei por ela e com ela, já fiz esse caminho.
Perdoa-me ter pedido desculpa e não te ter perdoado, perdoa-me agora que vejo que o teu perdão vem na sequência do meu, que não foi dado, mas que te é pedido agora. Perdoar é difícil, agora o sei, perdoa-me não o ter sabido quando tu também o precisavas.
Perdoa-me, não te ter perdoado.
Pedir perdão é quase tão difícil quanto o acto de perdoar, ou talvez não. Talvez estejam ambos no mesmo patamar, roçando o mesmo grau de dificuldade. Perdoar é um grande exercício, um grande exercício que revela enormes capacidades por detrás. Não é qualquer um que perdoa. Perdoar não é voltar atrás, perdoar é olhar em frente com uma breve passagem às costas do presente.
Perdoar não é relevar, perdoar é esquecer. É esta amnésia voluntária que não é para todos. É-o só para aqueles que são grandes por si só, cujo coração bomba nobreza em todo o seu esplendor e cujo amor transpira por cada poro.
Pedir perdão por não ter perdoado é ajoelhar sem vergonha, porque se atinge um patamar de percepção do outro, que já passou por onde se está a passar agora. Pedir perdão por não ter desculpado é porventura mais difícil que perdoar, mais difícil que pedir perdão.
A remissão dos pecados é-nos dada não pelo perdão em si, mas pela nossa consciência. Somos nós que ditamos o veredicto final. É por isso que muitas vezes esperamos a absolvição através do outro, é por isso que muitas vezes sofremos sem querer saber porquê. Eu já dormi sobre a minha consciência, já acordei por ela e com ela, já fiz esse caminho.
Perdoa-me ter pedido desculpa e não te ter perdoado, perdoa-me agora que vejo que o teu perdão vem na sequência do meu, que não foi dado, mas que te é pedido agora. Perdoar é difícil, agora o sei, perdoa-me não o ter sabido quando tu também o precisavas.
Perdoa-me, não te ter perdoado.
terça-feira, novembro 18, 2003
Just in Time
Não te atrases. Deve ser uma das frases mais repetidas em Portugal, e o mais engraçado é que muitos dos que proferem esta frase repetidas vezes, acabam por esquecer que eles próprios também têm de chegar a horas.
O que é isto de chegar a horas? Chegar a horas é sempre que não temos de recorrer às desculpas mais estapafúrdias ou, nalguns casos, verdades completamente irritantes e sem vergonha alguma.
Eu nunca me atraso, e compreendo que isso possa ser bem mais irritante do que estar à espera. Não me atraso não porque seja dondoca e não tenha mais nada para fazer, não que tenha um motorista que me leve onde queira e me poupe da chatice do estacionamento, não. Não me atraso porque acho uma tremenda falta de respeito por quem espera. Não é decente, não é justo.
Quantas vezes deixei de fazer coisas porque já não dava tempo? Imensas. Estar à espera é um estado que necessita de distracção, não de ocupação. O não deixes para amanhã o que podes fazer hoje deveria vir com uma alínea suplementar excepto se combinaste com alguém e para isso tenhas de o sacrificar no exercício da espera.
Ouço com carinho a frase não deu tempo para avisar, com carinho pois já é very typical em Portugal. Não deu tempo?! Um telefonema demora quanto tempo a fazer? Um sms (até há modelos de sms para os “atrasados”) demora quantas eternidades a enviar? Parece que o “atrasado” tem tempo para tudo, menos para quem sofre com a espera que ele provoca.
Não é um problema, muito menos crónico. É falta de educação, como o é deitar os papéis na calçada, apagar os cigarros no chão ou atirar latas e embalagens vazias pelo vidro do carro em movimento. Para a falta de educação há desculpa?
Perante esta tamanha falta de chá, muitas vezes a solução está em tomar um cházinho, que pode ser que não esfrie no entretanto.
Clica aqui se sofres deste mal, compreenda-se, o mal de estar à espera. Não que resolva, mas alivia! Eu sou o 1042 :D
O que é isto de chegar a horas? Chegar a horas é sempre que não temos de recorrer às desculpas mais estapafúrdias ou, nalguns casos, verdades completamente irritantes e sem vergonha alguma.
Eu nunca me atraso, e compreendo que isso possa ser bem mais irritante do que estar à espera. Não me atraso não porque seja dondoca e não tenha mais nada para fazer, não que tenha um motorista que me leve onde queira e me poupe da chatice do estacionamento, não. Não me atraso porque acho uma tremenda falta de respeito por quem espera. Não é decente, não é justo.
Quantas vezes deixei de fazer coisas porque já não dava tempo? Imensas. Estar à espera é um estado que necessita de distracção, não de ocupação. O não deixes para amanhã o que podes fazer hoje deveria vir com uma alínea suplementar excepto se combinaste com alguém e para isso tenhas de o sacrificar no exercício da espera.
Ouço com carinho a frase não deu tempo para avisar, com carinho pois já é very typical em Portugal. Não deu tempo?! Um telefonema demora quanto tempo a fazer? Um sms (até há modelos de sms para os “atrasados”) demora quantas eternidades a enviar? Parece que o “atrasado” tem tempo para tudo, menos para quem sofre com a espera que ele provoca.
Não é um problema, muito menos crónico. É falta de educação, como o é deitar os papéis na calçada, apagar os cigarros no chão ou atirar latas e embalagens vazias pelo vidro do carro em movimento. Para a falta de educação há desculpa?
Perante esta tamanha falta de chá, muitas vezes a solução está em tomar um cházinho, que pode ser que não esfrie no entretanto.
Clica aqui se sofres deste mal, compreenda-se, o mal de estar à espera. Não que resolva, mas alivia! Eu sou o 1042 :D
Ajudar até ao tutano
Não há porque não ajudar, não há porque não saber. Ser (possível) dador de medula óssea é fácil e pode salvar uma vida.
Durante anos recebi mails aos quais não respondi e os quais encaminhei como quem passa o sal e a pimenta num almoço qualquer. Houve um dia que foi diferente. Tocou-me um mail e decidi responder, perguntando como poderia ajudar. A menina respondeu-me, tratou-me por tu, senti-me mínima e atónita perante toda aquela coragem.
Foi então que tive conhecimento do Centro de Histocompatibilidade do Sul e para isso só tive de clicar aqui, olhar para a coluna do lado esquerdo da página e ler a parte referente ao CEDACE, no canto inferir esquerdo. Depois é preencher o inquérito preliminar e esperar por uma carta em casa. Posteriormente é só dirigirmo-nos até à Faculdade de Medicina do Campo de Santana (pelo menos, no meu caso foi) onde nos são retirados 10ml de sangue*. Desta forma, eles conseguem averiguar a compatibilidade entre nós e os doentes.
É só isso. Não custa, não dói e pode ser que sejamos um dia chamados, para podermos ajudar alguém que precisa mesmo de nós.
Ajudar até ao tutano, pleonasmo engraçado!
* Aqui, é-nos dada uma justificação para entregar no trabalho ou na escola.
Durante anos recebi mails aos quais não respondi e os quais encaminhei como quem passa o sal e a pimenta num almoço qualquer. Houve um dia que foi diferente. Tocou-me um mail e decidi responder, perguntando como poderia ajudar. A menina respondeu-me, tratou-me por tu, senti-me mínima e atónita perante toda aquela coragem.
Foi então que tive conhecimento do Centro de Histocompatibilidade do Sul e para isso só tive de clicar aqui, olhar para a coluna do lado esquerdo da página e ler a parte referente ao CEDACE, no canto inferir esquerdo. Depois é preencher o inquérito preliminar e esperar por uma carta em casa. Posteriormente é só dirigirmo-nos até à Faculdade de Medicina do Campo de Santana (pelo menos, no meu caso foi) onde nos são retirados 10ml de sangue*. Desta forma, eles conseguem averiguar a compatibilidade entre nós e os doentes.
É só isso. Não custa, não dói e pode ser que sejamos um dia chamados, para podermos ajudar alguém que precisa mesmo de nós.
Ajudar até ao tutano, pleonasmo engraçado!
* Aqui, é-nos dada uma justificação para entregar no trabalho ou na escola.
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